Função de Produção de Saúde para o Rio Grande do Sul em 2008

Investigar os insumos (variáveis) que impactam na saúde dos indivíduos, possibilita pensar em estratégias para melhorá-la. Nos referimos a evidências que podem ser observadas no comportamento dos indivíduos desde sua infância até a vida adulta, bem como quando ele se torna idoso. Ou seja, no caso de um bebê, sua saúde poderá ser reflexo da saúde da mãe, do estilo de vida, da situação do ambiente familiar, e, no caso de um idoso, como a saúde deprecia-se ao longo dos anos, sua melhora pode ser reflexo do investimento em serviços, cuidados médicos e no seu comportamento. Além disso, há outras questões envolvidas, como o nível de educação, acesso à informação, condições macroeconômicas no que diz respeito a emprego e renda, o investimento em capital humano, entre outros. Portanto, ainda há muito que investigar sobre função de produção de saúde.

Neste artigo, os autores estimam uma função de produção em saúde para indivíduos adultos entre 25 e 85 anos que residem no Estado do Rio Grande do Sul, utilizando dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD 2008), com o objetivo de entender qual a relação entre as variáveis analisadas no estudo com o estado de saúde da população e quais suas implicações para a formulação de políticas públicas.

Os resultados do artigo apontam uma associação positiva entre saúde e escolaridade. Entre os que possuem zero ano de escolaridade, 59% são saudáveis, já entre as pessoas com 15 anos de escolaridade, esse percentual é de 92%. Encontrou-se também que, quanto maior a idade, menor a proporção de indivíduos com saúde boa ou muito boa. Na faixa de idade entre 25 e 34 anos, 88% são saudáveis, enquanto na faixa de 60 anos ou mais, esse número se reduz para 53%.

As principais conclusões dos autores foram que maiores níveis de escolaridade e renda, menores níveis de idade, residir na área urbana, ser do sexo masculino, possuir internet, não fumar e praticar exercício físico estão associados a uma melhor saúde do indivíduo. Observou-se que o efeito da educação sobre a saúde é maior para as mulheres; já a renda domiciliar per capita mostrou-se significativa apenas para a amostra do sexo masculino.

No que diz respeito à escolaridade, há clara evidência da melhora no estado de saúde quando o nível de escolaridade é mais elevado, o que também influencia a renda e muitas vezes a decisão de investir em saúde. Portanto, sugere-se políticas públicas voltadas ao acesso e permanência à educação, possibilitando a todos os indivíduos condições adequadas na produção de saúde.

Considerando a depreciação da saúde que ocorre com o aumento da idade, e o processo de envelhecimento da população, políticas de saúde específicas para as faixas acima de 60 anos ganham importância, principalmente devido ao processo de envelhecimento. Observa-se que campanhas que incentivem a população a melhorar sua saúde, seja através de uma alimentação mais saudável, vacinação, busca por cuidados médicos, acompanhamento médico de rotina/periódico, ou divulgando informações gerais sobre saúde, questões que oferecem riscos como consumo de álcool, drogas e fumo, podem ter impacto positivo sobre a saúde dos indivíduos.

Por fim, o trabalho sugere que políticas públicas que influenciem o comportamento através de hábitos saudáveis podem ter sua eficácia, seja através de desestímulo ao tabagismo e de estímulo à prática de exercícios físicos.

Disponível em:

http://www.jbes.com.br/images/v8n2/108.pdf

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