Economistas na Prática com Gisele Braun

O Economistas na prática desta semana entrevistou a Gisele Braun. Ela possui graduação em economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestrado e doutorado em economia pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). Realiza pesquisa nas áreas de economia da saúde, desenvolvimento econômico e economia internacional. Atualmente, ela trabalha como economista no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Confira a entrevista completa abaixo.


Qual sua formação e em que instituição você estudou?
Doutora em Economia pela Universidade Nova de Lisboa.

Quais os principais motivos que a levaram a estudar Economia?
“Originalmente eu não comecei estudando economia.” A escolha da Economia se deu muito mais pelas atividades desenvolvidas por familiares e amigos próximos, assim como pela oportunidade profissional em um banco comercial em função da aprovação em um concurso público, do que por uma escolha direta. “Durante uma greve ocorrida na UFRGS acabei acompanhando as aulas das minhas amigas que estudavam economia na PUCRS e comecei a gostar. Sempre gostei de matemática, então eu as ajudava nas disciplinas, foi quando decidi pedir transferência para Economia na UFRGS. A necessidade, a vontade e o gosto vão caminhando e se complementando.”
Com a elaboração do primeiro trabalho empírico para a conclusão do curso de Ciências Econômicas na UFRGS, tomei gosto pela pesquisa e decidi dar continuidade aos estudos, em nível de pós-graduação. A oportunidade de fazer mestrado e doutorado me permitiram a especialização em Economia da Saúde. A sorte de estudar com pessoas apaixonadas e competentes também foram determinantes para a minha escolha.

Qual a sua área de atuação? O que você faz no dia-a-dia de seu trabalho? Se for pesquisadora, conte-nos sobre sua área de pesquisa.
Atualmente, trabalho como economista no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Entre as atividades desenvolvidas, dedico a maior parte do tempo para tarefas de supervisão macroeconômica e apoio às operações financeiras ao Governo da República da Guatemala, cujo objetivo seja a promoção do desenvolvimento econômico e social nacional.

Você observa alguma diferenciação, por parte de outras pessoas, entre homens e mulheres que estudam Economia? E no seu ambiente de trabalho, há distinções entre os gêneros?
De modo geral, não observo diferenciação entre homens e mulheres que estudam Economia por parte de outras pessoas. A minha experiência nesse aspecto tem sido bastante positiva. “Eu nunca tive experiência de discriminação por ser mulher, muito pelo contrário. Com os professores com os quais trabalhei este sempre foi um não assunto, não há o que discutir sobre isso.” No entanto, tenho a percepção que os estudantes de Economia são maioritariamente do gênero masculino. Tive a oportunidade de ter dois excelentes orientadores em nível de Graduação e Pós-Graduação e o tema do gênero nunca entrou em pauta. Em nível profissional, trabalho em uma organização financeira internacional que está explicitamente comprometida com a igualdade de gênero, mas não somente. Existe uma abordagem de gênero e diversidade e recebemos treinamento regular sobre ética nas relações laborais.

Qual foi o caminho percorrido para você alcançar o seu emprego atual?
Trabalhar como economista no BID foi um objetivo que estabeleci durante o doutorado em Economia. Na verdade, decidi que gostaria de trabalhar em organizações financeiras internacionais por mais de uma razão. A abordagem multicultural favorece o aprendizado, seja por meio de lições aprendidas através de operações técnicas e financeiras em distintas economias, seja pelas atividades de trabalho com pessoas de diferentes origens. Fiz diversas entrevistas antes de ser selecionada. Além da formação técnica em Economia, adquiri fluência em Inglês e Espanhol, habilidades computacionais e realizei cursos de macroeconomia e desenvolvimento socio-econômico na América Latina.

O que você considera interessante falar para mulheres que pretendem estudar e/ou seguir na carreira de economista?
Eu estimularia qualquer mulher que pretenda estudar e/ou seguir na carreira de economista. Recomendaria a aquisição de habilidades leves como a fluência em Inglês, Espanhol e Francês, assim como de competências em análise de dados, além de estudar comprometidamente todas as disciplinas oferecidas no curso de graduação. Como elemento adicional, recomendo a leitura de jornais e livros escritos por autores nacionais e internacionais, sem restringir os temas à Economia. Penso que a qualidade do profissional de economia é influenciada pela qualidade do ser humano em nível amplo. Ouso referir que essa qualidade somente pode ser alcançada por meio das interações entre os seres humanos. É necessário ver, ouvir e perguntar questões variadas, a diferentes grupos de pessoas, em diferentes partes do mundo. Assim mesmo, é fundamental exercitar a escuta ativa, tentando entender as motivações e preocupações das pessoas. A economia é, sobretudo, uma ciência social, e a capacidade técnica de um profissional melhora por meio das relações humanas e sociais.

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