O olhar para as comunidades vulneráveis para um desenvolvimento sustentável inclusivo e humano

Foi por conta do desabastecimento de água que me aproximei mais da comunidade. Ano passado tinha conhecido o local e me choquei com as condições que viviam aquelas pessoas. Um lugar abandonado onde, curiosamente, existe um dos clubes mais nobres de Porto Alegre, o Clube dos Navegantes São João. Ali temos o retrato da desigualdade social, que convive lado a lado. Se apurarmos a renda média das pessoas que frequentam aquele território (moradores e sócios do clube), provavelmente, observaremos uma renda per capita média alta, o que não reflete a realidade de 100% que ocupa aquela área. Tal fato corrobora o que os novos modelos econômicos, como a economia Donut, por exemplo, vem nos alertando. Nossos atuais indicadores econômicos não refletem a realidade que nossa sociedade vive. Não é possível pensar e atuar em prol de um desenvolvimento sustentável, sem olhar indicadores ecológicos e sociais para mensurar o real desenvolvimento humano e econômico (Raworth, 2017).

Apesar da campanha ter sido um sucesso, levar água para a Ilha do Pavão não foi suficiente para mim, foi na verdade o início de minha relação com a comunidade. Ter uma comunidade tão vulnerável, vivendo em situação tão precária e tão perto do centro de Porto Alegre, é algo que não faz sentido para quem quer trabalhar no planejamento e execução de ações para o desenvolvimento sustentável da cidade. E para pensar o desenvolvimento sustentável da cidade, ou no caso da comunidade, como economista, sei que precisamos de dados para iniciar qualquer planejamento de política pública e/ou projeto. Sem informação, não temos como saber o perfil de uma comunidade e nem como mapear suas necessidades. Assim, junto com alguns amigos da Misturaí resolvemos fazer o Censo da Ilha do Pavão.

Fazer o censo na Ilha do Pavão me trouxe mais consciência do grau de separação social que vivemos. Além da Ilha do Pavão, existem milhares de comunidades que vivem a mesma situação. No Brasil, e no mundo. Estar mais próxima da realidade dessas comunidades vem me fazendo questionar cada vez mais sobre o que é um desenvolvimento econômico de verdade, e mais que isso, como atingir um desenvolvimento sustentável próspero e inclusivo para todos.

Do que adianta sermos a 12ª economia do mundo (Estadão, 2021), se 39,9 milhões de pessoas vivem em situação de extrema pobreza no Brasil (Observatorio3setor, 2021). Quais são esses indicadores que estão medindo essa situação? O que estamos fazendo a partir disso, e que medida estamos tomando? E aqui não digo apenas com relação ao governo, no sentido de políticas públicas, mas como sociedade.

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O olhar para as comunidades vulneráveis para um desenvolvimento sustentável, inclusivo e humano

 

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