A influência feminina no monetarismo

Autores: Cássia Heloísa Ternus, professora na Unochapecó e doutoranda em Economia na PUCRS Gustavo Inácio de Moraes, professor de Economia na PUCRS

A presença de pesquisadoras mulheres consagradas em um campo como o das finanças ou economia teve algo de tabu em todo o sempre. Mas curiosamente a presença feminina sempre esteve por lá. E em todas as correntes teóricas e de pensamento. A teoria monetarista talvez tenha aquela que na segunda metade do século XX mais recebeu a influência de pesquisadoras mulheres. Poderíamos citar o papel que a esposa de Milton Friedman teve ao elaborar textos em parceria e talvez suas contribuições, sobretudo nas últimas décadas de convívio, superiores ao do esposo.


Contudo, uma outra pesquisadora influenciou os escritos de Milton Friedman: Anna Jacobsen Schwarz (1915-2012), juntos escreveram dois dos livros chaves para a teoria monetarista: “Monetary History of the United States, 1867-1960” e “The Great Contraction, 1929-1933”. Os livros são importantes em vários sentidos: (1) tratam-se de reconstituições estatísticas da evolução da economia americana, algo que colabora para outros pesquisadores poderem realizar suas próprias interpretações; (2) confirmam a hipótese monetarista de relação direta entre preços e moeda; (3) realizam uma interpretação sobre as causas da Grande Depressão de 1929-33, apontando os equívocos do Federal Reserve na ocasião.


Anna Schwarz, anteriormente já havia demonstrado muito do seu intelecto como coautora do “Growth and Fluctuactions in the Bristish Economy, 1790-1850”, ainda em 1953, onde W.W. Rostow, outro intelectual influente daquelas décadas, era seu coautor, e seguiu sua contribuição, especialmente na reconstituição de séries econômicas, em outros dois livros: em 1970, com “Monetary Statistics of the United States” e em 1982 com “Monetary Trends in the United States and the United Kingdom: Their Relation to Income, Prices, and Interest Rates, 1867–1975”. Os dois livros são importantes para confirmarem sua argumentação em relação às bases teóricas do monetarismo e também por reforçarem sua pesquisa cliométrica, ou seja a coleta, reconstituição e consolidação de dados e modelos estatísticos históricos.


Sua carreira teve passagens pelo Departamento de Agricultura, Columbia University, National Bureau of Research Economic e terminou em 3 grandes trabalhos: participação na US Gold Comission, na American Economic Association e na American Association of Arts and Sciences.


Quando em 1976 o comunicado que atribui o prêmio Nobel ao sr. Friedman fala sobre seus méritos: “for his achievements in the fields of consumption analysis, monetary history and theory, and for his demonstration of the complexity of stabilization policy.”, podemos dizer que o trecho sobre a história e teoria monetária é algo para se dividir com Schwarz. O monetarismo e a interpretação da história econômica deve muito ao esforço de pesquisa e argumentação dessa fabulosa economista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *